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domingo, 1 de setembro de 2013

29 Setembro - Eleições Autárquicas

No próximo dia 29 de Setembro, realizam-se as eleições para os órgãos das autarquias locais (Câmaras Municipais, Assembleias Municipais e Assembleias de Freguesia). A tua participação neste acto eleitoral é muito importante, sendo um direito constitucional que não deves prescindir.
Autárquicas 2013
Para o exercício do direito de voto, é necessário conheceres antepadamente a tua situação no recenseamento eleitoral, nomeadamente:
Número de Eleitor
Freguesia de Recenseamento
Local de Voto
Caso não saibas os teus dados de eleitor, existem vários meios para obteres esta informação, sendo apenas necessário saberes a tua data de nascimento e o teu número de identificação civil(Bilhete de Identidade/Cartão de Cidadão):
SMS 3838 (gratuito) – Envia uma mensagem para o número 3838, escrevendo: RE (espaço) Nº de Identificação Civil (espaço) data de nascimento (AAAAMMDD). Exemplo: RE 12345678 19900512
Portal do Recenseamento – www.recenseamento.mai.gov.pt
Linha de Apoio ao Eleitor – 808 206 206
Junta de Freguesia
Para saberes o local exacto onde irás votar, basta entrares em contacto com a tua Junta de Freguesia ou Câmara Municipal a partir do dia 14 de Setembro, ou consultando os editais públicos afixados nestes locais. Na grande maioria dos casos, os locais de voto serão os mesmos das eleições anteriores.
Escolhe um futuro melhor para a tua autarquia, vota nas listas do Partido Socialista!

Fonte: JS Faul

terça-feira, 14 de maio de 2013

Reportagem: Autonomia das freguesias e isolamento do Interior em questão

Reforma da Administração Local

Autonomia das freguesias
e isolamento do Interior em questão


Luís Antunes já foi dirigente sindical e hoje preside à Junta de Freguesia de Paialvo. Homem do coletivo, tem travado uma luta pela autonomia das freguesias do concelho de Tomar e por tantas outras por este país fora. A culpa? Essa é da lei nº 22/2012



A  lei  da  reforma  da  Administração  Local,  promulgada  pelo Presidente da República a 16 de Janeiro, tem  sido  o mote para a luta travada por centenas de Juntas  de  Freguesia.  Luís  Antunes afirma que “isto é mais uma política profunda de isolamento do Interior”  e  reconhece  que  sente na pele as consequências da lei como homem e político.
“A  Junta  de  Freguesia  é  o  Estado  mais  perto  do  cidadão  e, mesmo  com  reduzidos  orçamentos,  as  juntas  desenvolvem obras que visam o bem comum com muito mais valor para a população  local  do  que  os  outros organismos do Estado”, defende.

Luís  Antunes  orgulha-se  da luta pelos interesses do seu concelho. “No início,  estávamos na
lista  negra  porque  não  atingíamos os 30 mil eleitores. Depois, com  a  alteração  do  projecto-lei nº22,  determinado  número  de freguesias teve de ser aglomera-do no nosso concelho”.
Mas não é uma luta única. Depois  das  alterações,  a  freguesia de Paialvo deixou de estar em risco de agregação, mas não foi isso que  fez  Luís  Antunes  e  os  seus fregueses baixarem os braços. A luta  continua  do  Minho  ao  Algarve e é por ela que o presidente desta freguesia do centro de Portugal  se  tem  ido  muitas  vezes  à Assembleia da República, acompanhando autarcas  também em dificuldades. “Fizemos a luta possível... petições  públicas,  concentrações, deslocações  e  manifestações  de repúdio a esta política, disse.

Coluna vertebral
A moção “Somos História, somos gente, Paialvo sempre!”, aprovada a uma só voz em Setembro pela assembleia  de  freguesia,  teve grande  impacto  quer  no  município, quer em termos nacionais. “Divulgámos a situação a toda a  população  para  que  ficasse  a saber  quais  as  consequências e  enaltecemos  a  nossa  história secular,  sabendo  que  Paialvo já  foi  um  concelho  de  pelourinho,  o  que  no  passado  representava  a  Justiça”,  acrescentou.

Aos  olhos  de  Luís  Antunes  as Juntas de Freguesia, os seus presidentes e o poder reivindicativo da autarquia local são a “coluna vertebral que o poder político de direita quer partir”. E questiona:
“uma freguesia de até 5 mil eleitores, com um presidente da junta reformado, como é o meu caso e  o  de  tantos  outros,  será  pelos 270 euros por mês que recebe do Estado que vai perturbar e desequilibrar as finanças públicas?”.
O  autarca  sublinha  que  “não há  ninguém  que  coloque  mais em  consciência  o  voto  do que o cidadão na futura lista da sua Freguesia... Conhece-os a todos, vive, sente e vê quem é amigo da terra  e,  na  hora  do  voto,  realça bem isso”.

Para  Luís  Antunes  trata-se  de um problema político profundo. “Uma das grandes vitórias do 25 de Abril foi este poder local democrático e é esta mais uma das correntes que o poder de direita nacional,  assim  como  por  essa Europa  fora,  querem  partir.  E  é aqui que está o cerne da questão”. Receia que nas próximas eleições  autárquicas  a  representatividade  e  a  igualdade  política sejam  limitadas.  O  bairrismo continuará  a  trazer  a  contestação social às ruas,  porque “até aqui  o  eleitor  podia  votar  num projeto  político  e  numa  pessoa que conhecia, com uma maneira de estar e gerir [a sua terra]. A partir de agora, vão surgir disputas não entre os projetos políticos apresentados, mas pelo local onde  cada  candidato pertence, se  à  freguesia  A  ou  à  B  que  foram agregadas. É com isto que o poder democrático local vai ser desvirtuado”.

O presidente da Junta da Freguesia  de  Paialvo  aponta  também  como  necessário  o  exercício  realista  do  contraditório. “Houve  uma  proposta  de  lei  e esta foi aprovada na AR e  promulgada  pelo  PR,  tudo  bem num  Estado  de  direito,  mas  a Constituição  diz  que temos  direito à insubordinação pacífica, e eu estou ao lado dessas pessoas e tudo farei para que esta lei seja revogada ou pelo menos alterada”. E as imagens dessa contestação diária são o que poderá abrir  caminho  a  uma  viragem política, segundo Luís Antunes.

Consulta popular
A imposição  da  lei, sem a consulta  aos  autarcas  e  às  populações,  foi  o  que  mais  os  feriu.
“A  Associação  Nacional  de  Freguesias  (ANAFRE)  é  a  primeira a dizer que a reorganização administrativa pode e deve existir, mas deve ser feita com a discussão  das  freguesias,  das  populações  e  sempre  em  favor  destas últimas – o que não foi o caso”.
Basta  ver  o  exemplo  de  duas freguesias  no  concelho  de  Tomar, com áreas superiores à de Paialvo  (que  tem  22km²),  em que  “a  agregação  da  freguesia de Beselga à de Madalena não se justifica pois resulta num espaço  demasiado  grande  para  que um presidente de Junta consiga estar a par de todas as necessidades locais”.
Luís Antunes acrescenta, num tom  satírico,  que  assim  “um presidente de Junta já não é um presidente de Junta, é um conde de um extenso condado” e que “isto  só  resultará  num  aumento do isolamento do Interior, da miséria e do êxodo rural”.
Mas  para  este  autarca  “a maior dificuldade é lutar contra a maré em relação à crise, já que sabemos que há focos de miséria alimentar  e  temos de oferecer condições escolares a alunos que não as têm, o que marca um pequeno cidadão logo no início da sua vida”.

O presidente sabe que a atual crise precisa de respostas que a falta de autonomia das  freguesias  impede.  “Quantas  são  as casas em que um casal passa de dois ordenados para dois subsídios  de  desemprego…  é  nesses locais  que  a  junta  deve  atuar  e
ajudar “, mas para tal “as câmaras municipais devem apoiar as juntas de freguesia”.
No  entanto  as  dificuldades não  parecem  assustar  Luís  Antunes,  que  mantém  bem  alta  a esperança no poder local democrático e na reviravolta das condições de vida dos portugueses e defende a necessidade de “continuar a amar o país – algo que
não se está a fazer”.

Joana Graça Feliciano 

Publicado originalmente na Gazeta do Cenjor em Fevereiro 2013: http://www.cenjor.pt/gazetas/132169.pdf